Acadêmicos do Brand Entertainment
Em tempos de experiência com marcas, brand entertainment, branded content, advertising funded, advertainment e o que os mais práticos tradutores de tendências chamam de conteúdo, temos aí, nos próximos dias, o maior e mais belo desfile de harmonia, conjunto e enredos, seja para quem cria, quem paga, quem realiza e quem faz o “xis” no plano de mídia. As escolas de samba, por força das circunstâncias, se viram obrigadas a patrocinar seus enredos e o regulamento do desfile impede que marcas sejam expostas.
Estes cases que são pouco explorados, devem ser melhor observados. Carnaval sempre fala de história, pessoas, cotidiano, das relações humanas, e deve ser isso que seu chefe, seja na empresa, na agência, no seu veículo pede todos os dias. Aproveite a ocasião e a possibilidade! Faça de conta por segundos, que aí na sua empresa você virou sambista. Se é do atendimento (comissão de frente), do planejamento (harmonia), até chegar no carnavalesco (criador) e diretoria. Faltou a bateria ? Chama o cliente! Quem tem a batuta é quem dá o ritmo da escola! Já com todos devidamente paramentados podemos experimentar o famoso refrão: “E lá vou eu! E lá vou euuuuu. zizizi!
Diga aí: como disponibilizar para as marcas uma experiência prazerosa com o seu consumidor, sem fazer com que a marca “atravesse o samba”?
Só para relembrar outros carnavais..., a história já revelou que enredos que de tão bem armados entre marcas (brand) e agremiações (entertainment) se tornaram campeões. A Vila Isabel que venceu com “Soy Loco por Ti America” bancado pelo Petróleo Venezuelano e o general bolivariano (precisam ainda do nome dele?). O Salgueiro em 2002 falou da aviação “Viajando com o Salgueiro – Orgulho de ser brasileiro”, que foi um clássico de brand entertainment quando ainda este modelo de negócio não tinha chegado “nem na concentração”. Ah, entendi, o Salgueiro ficou em terceiro lugar. Mas basta lembrar que a marca pagou por um desfile e saiu em dois. Já pensou nesse plano de mídia? Paga por um e se fizer sucesso leva o segundo de graça! Na época, o Salgueiro que é vermelha e branca conseguiu colocar a Cia aérea que é da mesma cor e tem orgulho de ser brasileira. (vc ainda precisa do nome e ou do logo estampado?).
Uniu o tema, a relação com a marca, a assinatura, as cores, e até satisfazer a marca que entendeu por força da experiência prazerosa com o público que foi este um belo case. E todo ano tem mais que uma escola de samba dando aula.
Não duvide se um redator ou um roteirista for chamado (se já não foi) para fazer a letra do samba enredo no próximo ano! Se este ano ainda não tiver, em breve vai ter ala criada pelo Paulo Barros fazendo flashmob. Para os mais catedráticos e conservadores, a velha guarda continua linda e faz parte do intocável na escola. É o entertainment e o brand segura a cartola. Não invade o samba com publicidade e logo.
Fica uma pergunta simples: mas se no carnaval que é uma festa popular feita por artistas, (por mais profissionais que se tornem) e os resultados destas experiências estão aí, por quais motivos ainda é tão difícil fazer com que as marcas desfrutem desse desfile de oportunidades que o brasileiro tem por natureza, fora do desfile de carnaval?
Vivemos atrelados às experiências do cotidiano, adoramos experimentar e estar perto de quem desejamos, falamos com pessoas de todas as raças, credos, abastados e pobres, desde que ricos em otimismo e com credibilidade.
Será que teremos que convidar a velha guarda da mangueira para dar aula de brand ou o Wilson das Neves para cantar “O dia em que o morro descer e não for carnaval”?
Tragam cases do carnaval para a quarta feira de cinzas, discutam aí, façam de conta que estão cantando as notas (acadêmicos do brand entertainment, dez, nota dez!) ou sei lá, se você é quem que manda na “Escola” , ainda dá tempo de pensar em começar o ano antes do desfile das campeãs ou se preferir, seguir para o segundo grupo e dizer entre gritos de quem venceu de novo: “a comunidade vai lutar para voltar para o lugar que merece e nunca deveria ter saído! “
Depois do carnaval nos vemos no curso de Brand Entertainment do Cemec.
E lá vou eu!